quarta-feira, 13 de abril de 2011

O dia em que morri.

Ouço vozes que me chamam de alguma forma muda: sem lábios, sons ou motivos. Com a cabeça cheia, pés pesados e ideais caídas, tento por segundos apanhá-las, mas algo me acerta na cabeça e durmo. Quando acordo me deparo com um corpo estendido no chão, junto a mim. Um corpo tão estranho ao meu convívio e tão familiar ao mesmo tempo. O sol já havia se posto do lado oposto da minha vida, e o sangue estendido no chão anunciava algo que eu não poderia prever. As ideias espalhadas no escarlate pintavam de morte aquilo que um dia existiu e então, percebi, aquele corpo estendido no chão era eu, sem mim. Não é algo que se possa lutar, acontece. E acontece de uma forma tão imprevisível, que mal há tempo de desejar que tudo fique bem e se bem, desejar que não piore, e se piorar, que melhore e se não melhorar, que acabe logo aquela dor. O único tempo de verdade que se tem é o último fio de pensamento que ainda resta dentro de nós, o que seria: VIDA.

3 comentários:

B. disse...

Profundo e poético...um dos melhores textos que você já postou! Adorei!

Mariana Xavier! disse...

Profundo. Adorei! :)

Layra disse...

Nossa, sem palavras, isso nos faz realmente ver como a vida é algo profundo e, ao mesmo tempo, tão deligado, como um vidro, que com apenas uma batida, apenas cair no chão, acabou, simplesmente não tem como recuperá-la, sem voltá-la.
Nossa, isso me fez refletir muito, amei, flor. parabens.
Beijos