segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Coração.


Coração atento, incoerente, que cala, consente, grita, espera. Coração ansioso, que deseja o fim da história, mas acredita na continuidade dos sonhos, na esperança do recomeço, na possibilidade de novas aventuras. Coração medonho, que se divide em opostos, reparte pensamentos e planos, semeia o descontentamento pelo "normal" e anseia o inalcançável, o desejo constante pelo "mais". Que essa inquietude possa me levar para além das limitações do meu "eu", que os sonhos sejam alimento e a esperança, calma. Que o medo seja um visitante fugaz, todavia que a coragem fixe residência em cada parte de mim.  

Querer sem querer


Ah, não vem de conversa mole outra vez. De mole eu só quero a vida. "É porque você é linda." Ser linda com base no olhar, no sorriso, no jeito, nos trejeitos... Olha, me polpe! Eu de pronto não quero elogios, nem palavras, me canso delas rápido. Na verdade, não quero nada! Bem, não "nada" de um todo. É bom ser adulada, mas eu realmente não preciso de ninguém entrando na minha vida e mexendo comigo e depois agindo de um modo estranho. Não quero complicação, nem expectativas. Afinal, não há nada pior do que expectativas frustradas! A dor do ego, essa é poderosa. Por mais que eu queira alguém pra amar, alguém que goste de fazer cafuné e de conversar, eu também quero viver aquilo que acredito, eu quero permanecer fiel as minhas crenças e não ter que abrir mão por alguém que não está ali pra me apoiar. Eu quero um amor que traga paz, não um amor que me angustie, que me faça querer fugir ou que provoque desconfiança. Eu quero a certeza de que cheguei em casa, eu quero a paz do lar. Eu odeio me sentir boba ou parecer inocente demais, eu não gosto de ser a "otária" da história, de fantasiar com coisas que nunca irão acontecer. Eu queria ser aquela garota descolada, sexy, que poderia fazer com que qualquer um se rendesse aos seus pés, mas não queria isto para a satisfação da conquista, queria mesmo pra estar no controle das situações, pra não me sentir tão peixe fora d'água quando termino me tornando a "bestona" da novela. E me bate a dúvida do anseio do não querer querendo, de andar numa terra desconhecida e de um futuro incerto. E mesmo as certezas ficam em suspenso, você sabe o que deve fazer, todavia, não entende o por quê de se importar tanto com uma coisa que não quer.

Vitrine


Sonho com você de olhos bem abertos e de coração fechado. Acho que é medo de me apaixonar. Medo de não ter mais controle sobre a minha vida e ser deixada a sua total mercê. 

Penso nas diferentes formas que você me faria bem. No beijo pacífico e no toque sutil que me daria naquelas noites geladas. O seu abraço seria meu cobertor e as tuas palavras minha música favorita, ou melhor, as minhas, já que eu não paro de falar nunca.
É por esse motivo que eu te escolheria, por ser tão altruísta nas palavras, por me deixar desabafar o coração e me fazer confortável em fazê-lo pra você, embora eu não seja clara em nenhuma dessas vezes.

Olho pra o espaço vazio do tempo, as paredes desbotadas, a iluminação já gasta e a expectativa na vitrine, cheia de poeira.


terça-feira, 23 de junho de 2015

Never look back

Você acha que eu seria tão idiota ao ponto de cometer por uma segunda vez o mesmo erro? Acha que algumas palavras de desabafo, trocadas dias antes, seria o suficiente para trazer à superfície alguma imbecil apaixonada disposta a cumprir todas as tuas vontades? Disposta a se entregar como uma ovelha obediente ao calvário da tua indiferença? Como eu posso te dizer todos esses sentimentos que se formaram em meu coração, sem cometer alguma loucura? Como eu posso te dizer que você é a pior espécie de covarde que existe na face da terra? Sim, um covarde, que se apoia em vãs desculpas e desejos hostis. Tua máscara parece ser uma residente constante nas tuas relações. Como saber o que se passa aí dentro desse peito vazio e confuso? Talvez eu não tenha falado com clareza suficiente quando disse que não mais seria eu a dar qualquer passo. Eu não quero ser mais uma no teu arsenal, nem a melhor ou a mais inesquecível, eu só queria ser a única, eu só queria ser amada e respeitada. E nem adianta falar em arrependimentos ou consciência pesada, nós sabemos muito bem a data de validade dos teus "inconvenientes". Eu só me arrependo de não ter sido corajosa o bastante para dizer que você nunca mais sentiria os teus lábios nos meus, de não ter dito que eu nunca mais seria tão idiota ao ponto de me entregar a você, de me jogar aos teus pés e deixar meu mundo girar conforme os teus desejos. Se algum dia eu me deixei levar por uma paixão tola juvenil, confiando a você meu coração e sofrendo muda no peito quando você fingiu por um longo tempo que o que aconteceu entre nós nunca existiu, pois, bem, isso nunca mais vai acontecer. Não há garantias que esse sentimento foi embora, mas se existe alguma certeza nesta vida é de que não há nada que querendo muito não possamos obter, quando lutamos com todas as forças em prol disso. E não há nada que eu queira mais que obter você fora do meu sistema. E não há nada que eu queira mais que seguir em frente sem procurar teus olhos a cada passo, sem desejar teu sorriso a cada esquina, sem querer o teu toque a cada despedida. É isso, preciso dar passos em direção ao meu futuro sem olhar pra trás, sem olhar pra você, sem desejar o nós.

domingo, 31 de maio de 2015

Te define. Nos define.

Por que isso define... 
Define o que se passa dentro do meu outro eu. 
Define a cor dos meus pensamentos, a consistência das minhas ideais, a volatilidade dos meus desejos, a vontade dos meus anseios. 
Realmente, define. 
Define o vazio no meu peito, o aperto na garganta, a rouquidão da alma, a intrepidez das loucuras ou as loucuras das memórias. 
É, define. 
Define a saudade que eu sinto, a constância das lembranças, a insistência tola dos sonhos, a inocência maculada do meu coração. 
E não é questão apenas de definir, mas de sentir, viver, crer, ver, amar, brincar, desejar como nunca alguém antes assim sentiu, viveu, creu, viu, amou, brincou, desejou... Alguém que nem uma vez sequer foi seu. 
E o que falta em raizes, sobra em quintal.

E foi assim...

Sabe, eu odeio, odeio, odeio conversar com você. Odeio a sensação que me acompanha horas, dias, semanas, meses, após conversar uma única vez contigo. Sabe aquela sensação presa na boca do estômago? Aquela sensação que nos acompanha após o término de uma prova até a saída do resultado? Sim, aquela sensação de enjoo na cara depois de perder a única dignidade que tinha. Esse é o sentimento que fica em mim, após ouvir tuas ideias e compartilhar teus desejos. Ou seriam os meus? A sanidade se perde enquanto as horas se esvaem. Conversar uma hora, um dia, nunca foi nem nunca será o bastante para mim. Será que você ainda não entendeu? Será que ainda não perdebeu que me tira a razão? Ainda não se deu conta que sou louca por você, que faria qualquer coisa para estar ao teu lado, para dividir teus sonhos, anseios, medos, defeitos e imperfeições? Será que é tão estúpido que não sabe que a minha loucura combina com a tua, que o teu sorriso faz par com o meu ou que nossos corpos foram feitos para se entenderem? Meu abraço se encaixa no teu, meu coração se perdeu em você. Será que sou tão tola por acreditar em nós? Acreditar em contos de fadas e finais felizes? Só me resta seguir em frente. Deixar que o tempo feche as feridas e que a fé apazigue o coração. Eu poderia fazer tantas coisas, viver tantas coisas, querer tantas coisas... Mas fui me apaixonar logo por você. Por. Você. Ainda tento compreender o que se passa neste coração masoquista, que insiste em amar por utopia, sonhar por tabela e se interessar por genéricos. Ai do meu coração, louco, insensato, arredio e mandão. Assim, fico entre dois tiranos, senão três: você, esse sentimento no peito e a saudade. Saudade de uma coisa que nunca foi minha, mas que poderia muito bem ser... Em outro tempo, outra época, outra dimensão.