segunda-feira, 16 de maio de 2016

Sempre em frente

Não tenho tempo para encontros desnecessários, 
tenho sede do infinito, meu desejo é sempre um residente sagaz. 
Sou escrava dos meus sonhos, levada pelo descontentamento fugaz do agora. 

Dois amores. Um coração.


Eu observo o tempo passar, como um produto da própria inércia que se instalou entre nós. Eu virei uma paisagem, presa no último olhar que você me lançou. Você me envolveu no calor dos seus braços e foi embora. Como superar a tua ausência? Mesmo que tudo isso tenha sido ideia minha? Às vezes temos que fazer escolhas difíceis para viver o que é certo. Me pego te observando à distância, desejando que você olhe em minha direção, que teu olhar me arrebate do chão e tire o meu ar. Sinto tua falta! Mas eu não acho que você sinta a minha. Te pedi tempo, mas você nunca me deixou escolha, tudo foi rápido demais. Uma última promessa, reduzida à cinzas. Um último abraço, resumido em lembranças. 

Tentei uma última vez dizer adeus. Deixar ir, levar os momentos pelo ralo das memórias. Tentei te dizer com todas as letras que eu não queria isso, mas a veracidade das intenções não alcançou meu coração. Por que tudo tem que ser tão difícil? Tudo o que meu peito grita agora é paz. Estou dizendo adeus a outra parte de mim que não permite a sua partida.

A mala está lá fora...


Encontros, reencontros, despedidas, palavras ditas e momentos perdidos. É assim que a vida acontece, dias de glórias, dias vazados, dias contados, dias de espuma. De par em par, as horas findam só, o espetáculo termina, a idade avança, os gostos trocam, as ideias se reproduzem, a calmaria vai embora, o sono chega, o mundo se desfaz em pedaços de fantasia. E os meus olhos continuam dizendo as mesmas coisas, a enxergar profundidades que ninguém sente, a desejar o vislumbre do querer em meu sorriso. Dos não dizeres dessa vida, fica a dúvida de coisas que nunca chegaram a acontecer. O meu silêncio vira sepultura de tudo o que jamais partilhei com devassidão. Recolho, reproduzo e replanto, resultado, vastas flores transbordam pelas janelas espelhadas do meu interior, declarando a alforria de sentimentos que outrora se limitaram a pequenas expectativas de desejo. Não tem como viver por metades, eu quero tudo o que conseguir levar no bagageiro. Mas adianto, há muitos sonhos, então, apertem os cintos, vai ser uma longa viagem.

Freedom (liberdade)


Se o amor da minha vida não chegar, vou continuar vivendo como sempre vivi, perseguindo meus sonhos. Não adianta depositar expectativas em ninguém, é muito peso para se levar nas costas, uma hora o corpo cansa e a mente pede paz. E é exatamente isto que procuro, a paz das minhas crenças. Vou continuar sendo a louca que sempre fui, tendo surtos de vez em quando e cometendo besteira uma vez por ano. Vou continuar gravando meus vídeos malucos e vou sempre desabafar meu coração em palavras, certas coisas não dá pra contar a ninguém. 

Se o amor da minha vida não chegar, vou continuar sendo boba e me apegar rápido demais a quem não deveria. Me deixo encantar por momentos e, principalmente, por ilusões. Meu erro. Vou continuar sendo uma amante ávida da leitura, vivendo metade do tempo no mundo da lua, sonhando com coisas que nunca se tornam verdade. 

Se o amor da minha vida não chegar, vou fazer uma turnê pela Europa. Sei que é cliquê! Mas quem nunca teve o curiosidade de conhecer o berço dos maiores autores da história? Quero ir de Londres à Irlanda, passear sob o sol da Toscana, amar às margens do Sena, visitar a casa de Anne Frank lá em Amsterdã, navegar Veneza de um lado a outro... Seguiria os passos dos meus heróis literários, vivendo a doce ilusão de momentos para sempre guardados. Digo mais, se depois de tudo isso o amor da minha vida não chegar, vou fazer uma segunda turnê, mas, esta, através da cultura oriental, provar cores, tons e sons diferentes, mergulhar através das lendas e das crenças, observar o singelo silêncio dos monges, a meditar, bem como o eco da beleza das paisagens inexploradas pela mídia ocidental.

Se o amor da minha vida não chegar, vou transformar todos os meus sonhos, aventuras e descasos em palavras, vou escrever sobre as coisas que vi e partilhar as histórias que escutei. Vou ser feliz pelas coisas que conquistei e pela pessoa que me tornei. Vou continuar amando a leitura e espero que outros me amem através dela.

As facetas da Democracia


Existem certos tipos de comentários que me levam a questionar em que espécie de "mundo encantado" algumas pessoas têm vivido. Um país onde a igualdade racial, de sexo e de gênero foi finalmente alcançada. Sem corrupção, sem pobreza, sem marginalização. Tudo funciona na mais perfeita ordem. Não existe negro, pardo, índio, branco, quilombola, cigano, entre outros povos e raças, não existe história, todos somos irmãos de sangue, regidos pelo amor de Cristo e pela graça dos homens.

O que me enoja não é especificamente o fato de o atual presidente não ter nomeado nenhuma mulher para os ministérios, mas certos comentários infantis e ridículos que menosprezam esse fato e dispensam debates sérios.

À priori, adianto que não sou coxinha, petralha, nem idiota. Se ajudar, também não sou pariceira de ninguém.

Não foi preciso pesquisar por mais de 5 minutos fundamentos para escrever esse texto, na realidade, se qualquer um de vocês pesquisar no Google: "A igualdade feminina na politica como fator de fortalecimento da democracia", um mundo de artigos e livros vai aparecer para ser analisado por qualquer mente soberana e ilusória que acredita que no mundo da política todos são apenas pessoas.

A Constituição, no seu art. 5º, I, dispõe que: "homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição".

Essa é a parte que fala da expectativa.

Agora vamos para a realidade:

- Embora cerca 51,7% do total do eleitorado brasileiro seja composto por mulheres, a participação destas no parlamento é menor do que a metade da média mundial, 9% na Câmara e 10% no Senado.

- Segundo o site da Câmara dos Deputados federais, um estudo da União Interparlamentar, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), colocou o Brasil em 120º lugar em um ranking da proporção de mulheres nos parlamentos, o que significa estar atrás de países islâmicos como Paquistão, Sudão e Emirados Árabes Unidos.

- O Índice Global de Desigualdade de Gênero de 2015 analisou 145 países, entre eles o Brasil que ocupa o 85º lugar.

- 0% de mulheres na Esplanada (governo de Michel Temer).

Aí você me pergunta: O que a não inclusão de mulheres nos ministérios traz de ruim para o nosso país? Eu respondo: O retrocesso de uma democracia que ao menos chegou a efetivar-se.

Aí eu pergunto: Onde está a igualdade? Todos nós sabemos que determinados cargos apenas são alcançados através de apoio político e financeiro, seja ele qual for. Os partidos, hoje, têm a obrigatoriedade de atingir a cota de 30% de participação das mulheres na chapa, por que é tão difícil atingir essa cota? Será que as mulheres não se interessam por política? Será, então, que as mulheres não nasceram para a política? Ou será que a mulher está sendo excluída da política? Por que a maioria dos candidatos eleitos são homens? Será que a imagem da mulher, refletida ali em Marina Silva, por exemplo, é vista como o elo fraco da relação? Então, apenas mulheres com características fortes seriam as indicadas para assumir cargos públicos? Será que a história da mulher, no Brasil, subjugada e submissa, teria alguma relação com isso?

Eu poderia falar muito mais sobre o assunto, mas os que realmente estão interessados em entender, pela primeira vez, o que significam palavras como democracia, igualdade e justiça social, indico que: ou pesquise antes de falar ou simplesmente não fale.

Encerro com um texto fantástico que encontrei:

"(...) este trabalho pretende contribuir para o debate discutindo o caso do Brasil em perspectiva comparada, uma vez que o país está completando em 2013 um quarto de século de sua segunda experiência democrática desde que se tornou uma república em 1889. Atualmente a participação das mulheres no parlamento brasileiro é menor do que a metade da média mundial, ou seja, menos de 9% contra 19,4% e, no conjunto dos países latino-americanos, coloca o país em penúltimo lugar, ou seja, abaixo de todos os demais países com exceção do Panamá. Enquanto a cultura dominante, o comportamento social e a divisão tradicional de tarefas entre gêneros envolvem discriminações e tratamento desigual para as mulheres, na estrutura institucional da democracia brasileira não existem restrições formais contra elas. Mas pesquisas recentes mostraram que a despeito da existência de uma lei de cotas, destinada a corrigir a tradicional exclusão feminina da política, as diferenças efetivas de tratamento entre homens e mulheres pelos partidos políticos continuam afetando o acesso delas ao financiamento de suas candidaturas a postos eletivos e, dessa forma, impactando negativamente o seu desempenho eleitoral (Meneguello, Mano e Gorsky, 2012; Speck e Sacchet, 2012; Miguel e Biroli, 2009; Grossi e Miguel, 2001). A questão relevante consiste, então, em saber se as implicações desse impacto se limitam às consequências da exclusão política para as mulheres ou se elas repercutem sobre o funcionamento do regime democrático como um todo." (SANCHEZ, Beatriz Rodrigues; MOISÉS, José Álvaro. Representação Política das Mulheres e Qualidade da Democracia: O caso do Brasil)

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Medo de amar.

Eu me pego várias vezes tentando decifrar nossas conversas, entender nossos excessos, querendo te encontrar online pra falar coisas que eu nem sei. Minha determinação em não te querer mais tem sido maior que essa fraqueza, ou melhor, pecado pessoal, ou será sentimental? Me pego olhando para as paredes, desejando estar em outra lugar, com outro alguém. Me pego contando os dias, as horas, desejando que o tempo passe, que o mês acabe, que o ano finde. Me pego desejando querer amar, querer me apaixonar, querer conhecer alguém e me entregar de forma integral. Cansei de ser metade imperfeita. Cansei de me enganar buscando partes que não encaixam. Às vezes a gente aceita bem menos do que achamos merecer. Acho que é medo! Medo de não encontrar alguém que nos ame tão quanto imaginamos que devemos ser amadas.

Superação.

Eu fico a imaginar aqueles dias, momentos insanos de um descontentamento constante, onde a saudade era a única palavra do dicionário, qualquer tempo nunca era o suficiente para ouvir a tua voz. Ainda lembro. Lembro sim! Não tem como apagar da memória as vezes em que o coração falou mais alto, em que as inaptidões da junventude me levaram cedo demais a desabrochar o coração. Mas determinadas coisas são importantes demais para se deixar para a próxima oportunidade. Um coração quebrado ensina para a vida, você sente nos pés a inquietude da solidão. É chegado o momento de finalmente se reencontrar, conhecer os seus reais anseios, os segredos por trás das insatisfações, compreender a direção dos pensamentos, as possibilidades do desejo. É o momento de se reinventar, criar o seu próprio caminho, enxergar as suas limitações, vencer os medos.

Remendo.

Como pode doer tanto? Saber que você tem uma infinidade de outros passatempos? Como pode me rasgar desse jeito? Saber que tudo o que falamos não passou de uma coisa qualquer pra você. Meu coração doi, se isso realmente for possível. Acho que a sensação certa é esse vazio dentro de mim, é como se alguma coisa tivesse puxado o meu ar para fora e tivesse comprimindo meus pulmões. Todos os meus órgãos têm dançado dentro de mim. Estou enjoada. Estou enojada de mim. Tenho vontade de vomitar. Vontade de chorar. Vontade de te xingar. E eu só peço a Deus que as lembranças vão embora. Eu preciso esquecer o quanto desejei que o teu sorriso fizesse par com o meu. Preciso esquecer o quanto desejei que você gostasse de mim. Preciso esquecer o primeiro abraço, aquele que arrebatou o meu mundo e me tirou do chão. Se eu pudesse culpar alguém, seria aquele abraço. Ele confundiu a minha mente.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Coração.


Coração atento, incoerente, que cala, consente, grita, espera. Coração ansioso, que deseja o fim da história, mas acredita na continuidade dos sonhos, na esperança do recomeço, na possibilidade de novas aventuras. Coração medonho, que se divide em opostos, reparte pensamentos e planos, semeia o descontentamento pelo "normal" e anseia o inalcançável, o desejo constante pelo "mais". Que essa inquietude possa me levar para além das limitações do meu "eu", que os sonhos sejam alimento e a esperança, calma. Que o medo seja um visitante fugaz, todavia que a coragem fixe residência em cada parte de mim.  

Querer sem querer


Ah, não vem de conversa mole outra vez. De mole eu só quero a vida. "É porque você é linda." Ser linda com base no olhar, no sorriso, no jeito, nos trejeitos... Olha, me polpe! Eu de pronto não quero elogios, nem palavras, me canso delas rápido. Na verdade, não quero nada! Bem, não "nada" de um todo. É bom ser adulada, mas eu realmente não preciso de ninguém entrando na minha vida e mexendo comigo e depois agindo de um modo estranho. Não quero complicação, nem expectativas. Afinal, não há nada pior do que expectativas frustradas! A dor do ego, essa é poderosa. Por mais que eu queira alguém pra amar, alguém que goste de fazer cafuné e de conversar, eu também quero viver aquilo que acredito, eu quero permanecer fiel as minhas crenças e não ter que abrir mão por alguém que não está ali pra me apoiar. Eu quero um amor que traga paz, não um amor que me angustie, que me faça querer fugir ou que provoque desconfiança. Eu quero a certeza de que cheguei em casa, eu quero a paz do lar. Eu odeio me sentir boba ou parecer inocente demais, eu não gosto de ser a "otária" da história, de fantasiar com coisas que nunca irão acontecer. Eu queria ser aquela garota descolada, sexy, que poderia fazer com que qualquer um se rendesse aos seus pés, mas não queria isto para a satisfação da conquista, queria mesmo pra estar no controle das situações, pra não me sentir tão peixe fora d'água quando termino me tornando a "bestona" da novela. E me bate a dúvida do anseio do não querer querendo, de andar numa terra desconhecida e de um futuro incerto. E mesmo as certezas ficam em suspenso, você sabe o que deve fazer, todavia, não entende o por quê de se importar tanto com uma coisa que não quer.