quarta-feira, 13 de julho de 2011

Detalhes

“- A gente só conhece bem as coisas que cativou.”
(O Pequeno Príncipe)

Interiormente.

“- Se consegues fazer um bom julgamento de ti, 
és um verdadeiro sábio.” 
(O Pequeno Príncipe)

Jardins

“- Não soube compreender coisa alguma! Deveria tê-la julgado por seus atos, não pelas palavras. Ela exalava perfume e me alegrava. Não podia jamais tê-la abandonado. Deveria ter percebido sua ternura por trás daquelas tolas mentiras. As flores são tão contraditórias! Mas eu era jovem demais para saber amá-la.”
(O Pequeno Príncipe)

Triste.

“- Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e quatro vezes! 
E logo depois acrescentaste: 
- Quando a gente está muito triste, gosta de admirar o pôr do sol. 
- Estavas tão triste assim no dia em que contemplaste os 44? 
Mas o principezinho não respondeu.” 
(O Pequeno Príncipe)

Caminho

“Quando a gente anda sempre em frente, 
não pode mesmo ir longe...” 
(O Pequeno Príncipe)
Um “U” afinado pode parecer um “V”, o “R” sem uma perna pode ser um “P”. Então, perceba, um erro por menor que seja pode mudar para sempre uma verdade. Principalmente quando se trata de amor e amizade.
A gente julga gostar de alguém e por muito tempo carrega o sentimento consigo. Até um dia descobrir que ele não era tão grande quanto julgávamos. As circunstâncias mudam e nós também.
Enxergo a vida mais ou menos assim:
Quando nascemos queremos saber de onde vimos.
Quando crescemos queremos saber quem somos.
Quando envelhecemos queremos saber para onde vamos.
Então, na dúvida pergunte: Isso mudaria alguma coisa?

Confissão platônica

Com o tempo, percebi que meu mundo girava em torno de você. Mudava as fotos do Orkut, renovava o perfil, entrava no Msn... Sempre esperando que você me notasse. Percebi que meu gosto musical mudou e que os locais que frequentava eram mais à sua cara que a minha. Percebi que meu primeiro e último pensamento se tornou você e que minhas escolhas de viagens se limitaram aos dias em que estavas ocupado, porque teus dias de folga eram os meus de felicidade. Percebi que cada palavra tua se tornou o enigma predileto das minhas horas vagas... Distinguir o que o teu gostar de mim significava de fato pra você. Parece loucura pensar assim, mas é como aquela música de Biquíni Cavadão: “Se eu pudesse escolher outra forma de ser eu seria você”. É a única fórmula que explica essa minha obsessão de querer sempre estar ao teu lado, de absorver essa tua alegria. Eu tenho medo de quando tudo acabar. Porque querendo ou não, você se tornou meu apoio invisível. Queria que as coisas que falei fossem segredo, mas minha mente não te suporta sozinha. Aí eu falo e falo, durante horas à fio. Eu poderia levar horas, dias, anos, descrevendo seu sorriso, seu olhar, seu toque. Mas agora não pretendo fazer isso. Só quero te esquecer... Só.

Precipício

Sabe aquele som do aparelho (do qual não lembro o nome no momento) que marca as batidas do coração? Sim, aquele que faz “pííííííííííí”, o barulho, ou melhor, o anjo que anuncia a morte de algum infeliz. Imagina esse som vinte e quatro horas nas suas ideias. É... é assim que me sinto. Talvez isso explique esse vazio das incertezas da minha quase desilusão amorosa. Mas como é um talvez/quase acho que a especulação não cairá tão bem quanto a certeza. Não há muito o que se fazer na UTI, então, temos que esperar um milagre ou se a vida for generosa, um milagreiro. Mas o melhor mesmo seria se nós lutássemos por essa vida, o que não deixa de ser a alternativa mais provável, visto que os únicos que lutam por nós somos nós mesmos. A vida é assim... Vivemos nessa constante e contínua vontade de nos provar (seja por cima, embaixo ou no meio de todos os outros sentimentos). O importante é provar, se provar e ser provado.
Certa ideia surgiu na minha mente. Quer dizer, um fato que sempre acompanhou meus textos: sempre começo a escrever repentinamente do nada. Já me perguntaram de onde tiro inspiração para escrever, disse que escrever é questão de sentir. Mas escrever é questão sua, de você. Assim como as minhas inspirações repentinas, também começo a escrever coisas que não deveriam, sigo a sequência errada do texto, das ideias... Pulo palavras, sentimentos, esqueço pontos importantes e me concentro em outros totalmente atípicos. Enfim, não é do meu interesse falar dos meus textos. Quero falar do texto dos outros. E não apenas dos textos, mas das fotos, quadros e esculturas também. Estava aqui do nada, em uma noite de sexta, bebendo coca-cola em uma tarça de pés longos (se é que chamam assim) – ultimamente desenvolvi essa estranha necessidade de beber coca com gelo e limão – enfim, quando dava a última golada, percebi que a forma como os gelos se colocavam no final do copo e a forma que o limão estava estacionado no meio deles, lembravam-me e muito, um quadro famoso. Agora me pergunto: qual quadro? Nenhum. Só achei aquela cena inebriante. E é isso o que os artistas fazem, mastigam a realidade e transformam as coisas nunca antes observadas por nós... Dando-nos a impressão que aquilo é inovador, sem de fato o ser. O óbvio precisa ser dito ou mostrado, sempre.
É...  Às vezes a gente se pergunta o porquê de certas coisas. Sempre repetimos que não cometeremos o mesmo erro.  Mentira. E bota mentira nisso. Amamos o erro. Nos apegamos ao erro. Viramos o erro. 25% dos textos escritos aqui são sobre uma certa pessoa. Uma pessoa que ocupou por um longo tempo a minha vida, que ocupou por um longo período os vazios dentro de mim. Pois é, acho que nesses 25% coloquei que não o queria mais, falei para as minhas amigas que sofri muito na relação e que mesmo ele sendo uma ótima pessoa, nunca daria certo... Nossos mundos eram diferentes. E o pior é que realmente são, são mesmo. Eu é que sou sempre tão burra em continuar cometendo o mesmo erro. Juro que de cara não quis isso, mas todo aquele momento nostálgico de nossos sonhos passados/presentes/futuros, ah, isso me tirou do sério. E mais uma vez, ele não tomou nenhuma atitude. Estou cercada de homens inteiramente sem atitude, quer dizer, os homens que eu gosto e gostei. Espero esquecer os dois, como esqueci o outro. Sei que um já foi esquecido, outro vai ser quase impossível esquecer e o último, que pode ser considerado o segundo depois do primeiro, está quase em processo de desencantamento. Você pode até pensar: “essa menina ama demais”, não se engane... Uma pessoa que ama demais é amada de menos, essa é a regra. Então, sigo com essas minhas ilusões platônicas, visto que em minha vida, dessas três, só uma deu certo. E mesmo assim, só vigorou por um certo tempo. Ando em busca de um amor que o primeiro não pôde me dar, o segundo não pôde viver e o terceiro, talvez, tenha pensado na hipótese de viver comigo.

P.S: Esse terceiro é o segundo depois do primeiro.
P.S²: A ordem está conforme fui esquecendo-os.
Eu odeio ter que fazer isso novamente, mas é quase que impossível impedir que esse sentimento tão antigo venha à tona. Quando começo a contar uma história, tenho desesperadamente que tentar terminá-la. Não é fácil para você ter que ler sobre isso de novo, mas tenha certeza que para mim é duas vezes pior. Posso contar nos dedos o número de pessoas que conhecem esse meu sentimento por você. Na verdade, nem sei se algum dia você chegou a ler essas coisas que ponho aqui. Propus-me a viver isso entre nós, essa coisa tentadora e perigosa. Cada minuto ao seu lado era um céu, mas quando repasso cada coisa que vivemos, ou melhor, coisas que vivemos na ilusão, lembro que me perdi muito mais em você do que você em mim. Hoje fiz três promessas, a primeira é de nunca fazer nada esperando algo de você, a segunda é de não dizer o seu nome em voz alta e a terceira é de não pensar em seu nome ou em você. Sabe o que é engraçado? É que por um breve momento, de fato, acreditei em você. Acreditei nas tuas palavras, acreditei nas tuas brincadeiras, até descobrir que eu não era a única com quem você brincava. E para sua informação sou totalmente menina quando se trata desse assunto... Sou daquelas que só fazem uma coisa pensando na outra pessoa. Eu poderia te falar sobre várias coisas que aconteceram implicitamente entre a gente, mas assim eu estaria contando o meu segredo para além dos dedos que tenho.
A noite estava bastante fria para falar a verdade. O vento vindo do oeste tornava a minha blusa de frio insignificante, impulsionando-me a querer chegar o mais rápido possível em casa. A única coisa que me fez permanecer ali, é claro, foi o calor – que ainda me mantinha um pouco aquecida – emanando da pessoa ao meu lado. Pedi que ele se sentasse junto a mim, e falei-lhe que quanto mais pessoas estiverem perto de nós menos sentimos frio. Ele sorriu um riso presunçoso, afirmando que era lógica essa assertiva. Conversamos sobre pontos esquecidos de nossas vidas, tentando por um breve momento fingir que mantíamos certa amizade. E o pior é que descobrimos que mantíamos a tal amizade. O tempo foi passando despercebido como nos primeiros dias, nem parecia que por duas horas conversávamos normalmente sobre os rumos que nossas vidas tomaram. Falei que já era chegada minha hora, deveria ir para casa. Ele se levantou, eu me espreguicei e logo em seguida levantei. Não posso negar que caminhar ao lado dele e lembrar coisas e das coisas, fez-me querer reviver certos momentos. Mas isso estragaria totalmente os progressos do esquecimento. Conversamos mais um bocado até chegarmos à minha casa, nos abraçamos e despedimos. Porém, enquanto ele passava pela porta pensei: “não acredito que foi só isso”. Então, puxei-o junto a mim e o beijei. Sim, descobri que ainda sei beijar. Quando retornei a falar perguntei se ele estava namorando alguém, ele disse que sim... A consciência. Ele havia prometido que só beijaria outra pessoa quando estivesse de fato namorando. Ignorei essa última parte e dei mais um beijo nele, então, parei. Daí ele se foi sem dizer praticamente nada de útil. Apenas fechou a porta e se foi. E eu fiquei aqui, pensando no quanto eu acertei quando terminei com ele da última e primeira vez.