domingo, 10 de novembro de 2013

Desire


Te querer... É isso... Te quero! Quero assim como o trepidar do meu corpo ou o pulsar do meu coração ou a aceleração da minha respiração com a tua proximidade. Quero mais, quero menos, quero pouco ou muito, quero tudo, quero nada. Quero com as inconstâncias do meu querer ou com as certezas das minhas crenças. Quero do tipo "avião sem asa, fogueira sem brasa", "eu e você" ou "você e eu". Quero só por querer ou realmente por querer te ter. Quero você. "Wolen", "desire", "vouloir", "volonté", querer (sem querer).

Sentimentos controvertidos


"O tempo, com sua capacidade de confundir os sentidos humanos, deixa na gente o desejo do passado e a esperança de um futuro lento, eficaz e, se der, melhor. Basta lembrar que esse sentimento, no momento da utopia, é incomparável com o passado vivido; mas estes sentimentos, escravos e amantes do tempo, compõem o pulsar das nossas vidas." (?)

Amor cênico


Ou o espetáculo está começando ou já acabou. Os ingressos foram vendidos, as apostas lançadas, o palco montado, os atores preparados, o roteiro acabado e o show começou.

No mundo teatral, muitos são os detalhes que devem ser observados, desde uma simples projeção de luz à entonação ou construção vocal do artista ante o público. Cada expressão, por mínima que seja, é interpretada pelo público, com ou não aceitação, desde uma visão sobreposta da própria realidade vivida ou representada pelo ator. Controlar a veia artística que há dentro de cada expectador, nesse momento, chega a ser difícil, afinal, faz quem quer, todavia, acha quem pode. E são os "achismos" que compõem esse momento do espetáculo, o ser ou dever ser dos fatos e sentimentos apresentados em cena. E são nesses casos que o sentimento fala mais alto, comove, contraria, pressiona, liberta ou aprisiona. 

Estar no palco é viver cativo a uma realidade paralela, falsa, mas, igualmente real, muitas vezes mais verdadeira e forte que o próprio universo físico e material. E você se conecta, mesmo que por um breve instante, a tudo aquilo que ali é contracenado; escolhe os mocinhos, os vilões, traça diretrizes para o futuro dos personagens, cria laços. No entanto, o enredo se desenvolve e chega a hora de por à prova o destino dos personagens. Apresentando-se, assim, a dúvida e a certeza daquilo que pode ou não acontecer. E é quando as cortinas se fecham, as luzes se acedem, a plateia aplaude, os atores cumprimentam o público e este último, extasiado, demora a entender que tudo não passou de um espetáculo. Limpa dos olhos as lágrimas e aplaude a maestria de toda uma equipe que se esforçou por tornar aquele momento especial. O único problema, depois disso, é diferenciar as partes reais das inventadas ou, ainda, ter coragem suficiente para ir atrás da verdade real por trás de toda a encenação.