domingo, 27 de novembro de 2011

Pseudotexto.

Ele não está olhando para mim. Ele não está olhando para mim. Ele não está olhando para mim. Tudo bem, quem eu estou querendo enganar, ele está olhando para mim... exatamente a partir de onde começa a correr meus botões de seda. Acho que estou com vergonha. Quero dizer, quem ele pensa que é para está olhando para mim? Odeio isso. Odeio quando estou quieta no meu canto e alguém fica olhando para mim. Odeio quando estou andando na rua e alguém fica olhando para mim. Odeio toda vez que um "homem" fica olhando para mim. Porque não são só olhares, é quase como, digamos, um assédio sexual. Não que eu ande na rua dando trela para esses indivíduos, na verdade, creio que não dou nenhum tipo de subsídio para que continuem fazendo isso. Está bem, está bem, estou exagerando, mas só um pouquinho, toda mulher tem o direito de fazer isso, vezenquando. Somos dramáticas, loucas e ciumentas., não falo de todas, claro. Toda relação precisa dessas coisas. Depois que acaba a paixão, o que é que fica? Nossa incrível capacidade de ver sempre onde não tem, ou melhor, enxergar além dessa falta de visão que atinge a maioria dos homens. É isso o que apimenta a relação, resgata a paixão, dá algum motivo para você permanecer ali na luta... resgatar uma alma perdida (esse é o sonho de toda mulher, e, não posso eu dizer que é de todo utopia). E vamos ser sinceros, homens e mulheres, depois de uma briga tudo fica melhor. E quando digo "tudo" vocês entendem o que eu quero dizer.

- Nem eu sei o que esse texto está querendo dizer.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

"Teoricamente"

Relativização da coisa julgada no âmbito amoroso. A Constituição Federal no seu art. 5º, inciso XXXVI, dispõe que "a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada". No quesito "relacionamento amoroso" aplicamos a coisa julgada material. Nesta, uma vez chegado ao fim a relação, torna-se impossível a modificação dos fatos que levaram a isso ou de qualquer outro que tenha sido determinante para o rompimento, posto que a matéria em análise cumpriu todos os níveis procedimentais que se permite atingir num relacionamento. Depois de formada a coisa julgada, nenhum juiz poderá concluir de forma diversa, por qualquer motivo. Em princípio, apenas os fatos que tenham decidido o rompimento entre as partes, fazem coisa julgada material. Este rompimento não pode ser objeto de reconciliação, nem se pode iniciar novo relacionamento com o mesmo objetivo, em virtude da necessidade de promover a segurança emocional do coração, para que não se possa discutir eternamente questões que já foram suficientemente analisadas. (Crédito: Á Efigênia, que deu a ideia.)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ode à direito penal.

Penal, por que me abandonaste tu...
Ingrato, mal criado.
Doei-me tanto ás tuas causas.
Até aplicar tua pena eu apliquei.
Você me usou, jogou fora.
E agora? Que faço eu sem tu?
Quer dizer, que faço eu com tu?
A tua ilicitude me corrói as entranhas.
A tua tipicidade já tipificou meu coração.
Não tente se retratar, você é culpado sim!
E uma vez culpado, não alegue que não conhecia meus sentimentos.
Pena que não tenho, nem sou, causa interruptiva...
dessa tua punibilidade que me extingue por completo.
Você pode até mesmo usar destas tuas artimanhas garantistas,
mas o meu bom e velho senso de justiça ainda não morreu.
Não trate com "indulto" quem merece ser tratado com "graça".
Mas, por ora, até amanhã, perdoo esse teu desacato...
deixarei arquivado em algum lugar esse inquérito intelectual.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Tudo um dia se ajeita.

Quando tudo diz que não e você começa a ter certeza que aquele realmente não era seu dia, uma voz fala e continua a repetir: "calma, o pior ainda está por vir". Não é por falta de criação, muito menos por amargura. A verdade é que não sofremos hoje metade do que iremos sofrer amanhã. Então, relaxe, curta as pequenas particularidades do seu dia, mesmo que isso seja uma péssima nota naquela prova que você ralou muito estudando para fazer. "A vida não é justa, meu bem"... já diria esse velho ditado que a gente nem sabe de onde veio, mas que é tão presente quanto os cabelos da nossa cabeça e o suor na nossa "cara". Às vezes me pergunto qual será a verdadeira lógica da vida... se ela nunca é aquilo que queremos e nós nunca somos aquilo que dizemos.



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Boboca não.

A questão não é amar... Amar a gente ama. E para falar a verdade, ama até demais. Somos bobas no amor, na amizade, no trabalho, com a família. Somos bobas em tantas coisas. Bobas, não bobocas. O problema das pessoas é que elas não entendem essa pequena diferença.

domingo, 6 de novembro de 2011

Eu Nado. Tu Nadas. Ele Nada.

O mundo da imaginação é de um poço profundo sem chão. E nem pense que estou tentando fazer poesia, vocês bem sabem que tem um bom tempo que não escrevo. Na verdade, faz um bom tempo que eu não sinto nada. Defina "nada". Bem, se você colocar a palavra "nada" no Google encontrará desde sites com essa palavra até o real ou fictício significado dela. Enfim, para resumir a história vamos dizer que "nada" significa "coisa nenhuma". O problema da equação da vida é que criamos expectativas por "nada", assim como também vivemos boa parte dela por e para "nada". Demoramos um bom tempo para dar significado às nossas escolhas e depois que fazemos isso, demoramos mais alguns anos até aprender quais as escolhas certas. Não é só a imaginação que tem poço fundo, nós também somos de um fundo profundo. "Então, continue a nadar, continue a nadar... talvez um dia a gente encontre alguma coisa, senão o nada do tudo ou o tudo do nada" (conjugando o verbo "nada").

A história de um assassino

O romance narra a história de Jean-Baptiste, um homem que possui um olfato extraordinariamente apurado, mas que não possui cheiro próprio, nem pudores, nem limites. Mais tarde, essa sua falta de cheiro poderá ser interpretada como um representante de sua falta de moral em um mundo no qual o amoral e o ético lutam para achar um denominador comum. O autor, por sua vez, fez um trabalho memorável ao descrever a Paris do século XVIII, cenário onde nasceu Jean-Baptiste – abandonado por sua própria mãe em meio às tripas de peixes, podridão e ratos. Passou metade da sua infância num orfanato aonde, cresceu solitário, visto que todos que mantinham contato com ele achava-no repulsivo de uma forma estranha. 

O ENREDO – Durante toda a sua vida Jean-Baptiste teve vários acidentes, doenças e chagas. Trabalhou como aprendiz de curtidor e depois como aprendiz de perfumista. Sua obsessão com cheiros é tanta e tão absoluta que, então com 14 anos, ele apresenta a si mesmo a um proeminente, porém falido, perfumista (Baldini) que o ensina a arte anciã de misturar óleos, dissecar e isolar aromas, e reduzir flores e ervas a seus óleos essenciais. Um dia Jean-Baptiste encontra uma linda jovem de 12 anos com um perfume natural totalmente diferente de todos os outros que ele guardava na memória, e acabará por matá-la por acidente, com as suas próprias mãos, de tanto desejar apoderar-se do seu odor. Mas, esta jovem é apenas uma das muitas jovens que o protagonista mata (acho que 26 no total), em busca do perfume perfeito (no filme ele mata 14 mulheres). Jean-Baptiste é capaz de evocar as mais diferentes emoções no leitor, desde simpatia, curiosidade, repulsa e ódio, que mostra um profundo autismo ao aprender cheiros diferentes à sua volta como a maioria das crianças aprende o alfabeto, ou contam números no jardim de infância. Dessa forma, ele passa seus dias identificando e organizando os cheiros em seu mundo particular – parece um autista.

MUNDO DOS PERFUMES – A ação divide-se entre o mundo dos perfumes que serve para encobrir o mundo dos fedores, dos crimes, das mentiras e da hipocrisia que caracterizam a cidade de Paris no século XVIII. O livro, até pouco tempo considerado inadaptável para a linguagem cinematográfica, foi transformado em filme pelo também alemão Tom Tykwer e, segundo vários sites de cinema, o próprio Süskind negociou os direitos de filmagem com o produtor. O filme contou com um elenco de celebridades, tais como o maravilhoso Dustin Hoffman, de belas mulheres, de uma bela fotografia e de um roteiro muito interessante. Jean-Baptiste foi interpretado pelo até então desconhecido ator Ben Whishaw. O orçamento da produção extrapolou o valor de 50 milhões de euros, segundo informações contidas no site da Deustche Welle, mas valeu a pena, o filme ficou muito bom.

SUI GENERIS – Quando os críticos e leitores sentiram pela primeira vez o aroma de “ O PERFUME” em 1985, ele prontamente tornou-se um best-seller internacional sendo traduzido para 37 línguas diferentes. O livro de Süskind é sui generis: meio horror, meio suspense, meio ficção histórica, meio erótico, meio repulsivo, meio romance, meio melancólico. Ao mesmo tempo que oferece muitos insights na mente do criminoso insano, também especula sobre o papel que o senso comum tem em nossas vidas. Todo este mundo irreal e, de certa forma, sobrenatural, acaba por ser um pretexto que o autor utiliza engenhosamente a fim de explorar as paixões básicas que movem a humanidade: "o erotismo, o poder, a necessidade de afirmação e a procura de si próprio", retratada aqui na busca do perfume ideal . E embora esta seja a história de um assassino, o próprio subtítulo o indica, os crimes acabam por diluir-se, como que desculpados pela pureza das intenções destituídas de qualquer tipo de moralidade. É por este motivo que o fim deixa um travo amargo, já que não se retiram conclusões e só a dúvida fica no ar.

MENTES ABERTAS – Apesar de muita coisa do livro ter sido dispensada na versão cinematográfica, “ O PERFUME” é um livro que deve ser degustado de mente aberta, deixando de lado preconceitos e juízos de valor, porque só assim se poderá apreender a beleza de caráter mórbido que se desprende das páginas e a crítica subjacente: quantos são frágeis e dependentes do “eu animal”.

No final da história, Jean-Baptiste volta a Paris e é partido aos bocados e comido por pessoas, devido ao efeito do perfume que tinha derramado por todo o corpo. Agora, qual o significado desta morte horrível? Pode-se ter a falsa impressão de que o autor queira afirmar que os idealistas são consumidos pelas massas ou pela podridão que o sistema produz. Mas as últimas linhas do texto fazem pensar em algo diferente: “(...) seus corações estavam bem leves (...). Pela primeira vez , haviam feito algo por amor”. 
(“O PERFUME – A História de um Assassino” de Patrick Süskind)

Uma mente brilhante

A conversa não é o seu forte. Fala lentamente e com alguma dificuldade na articulação das palavras. Umas vezes hesita, outras responde ao lado. Por vezes demonstra um sentido de humor que não chega a sê-lo completamente - e que talvez nem o seja de todo.

A sua mente só pode ser brilhante - uma beautiful mind, como reza o título original da aclamada biografia que a jornalista Sylvia Nasar publicou em 1998, e que por sua vez inspirou, em 2001, o filme homónimo de Ron Howard, com Russell Crowe no papel principal. Só assim é que se explica a extraordinária história de John Nash.

Nascido em 1928 nos Estados Unidos, Nash doutorou-se em 1950 pela Universidade de Princeton com uma tese de apenas 27 páginas que viria revolucionar a área matemática da Teoria dos Jogos. O "equilíbrio de Nash", que ele definiu nessa altura, faz hoje parte do vocabulário corrente desta disciplina científica.

A partir de finais dos anos 50, Nash desenvolveu esquizofrenia paranóide. A sua vida familiar e a sua carreira como matemático (já era considerado um génio por alguns) foram tragicamente truncadas. Perdeu o emprego, divorciou-se da mulher, Alicia, foi hospitalizado, medicado e tratado à força. Tornou-se um espectro de si próprio. Mesmo assim, durante os raros intervalos livres de delírio, continuou a fazer matemática de grande qualidade.

Nos anos 1970, Alicia voltou a acolhê-lo em sua casa (mais tarde voltariam a casar) e Nash regressou a Princeton. Passava o tempo a gatafunhar misteriosos códigos numéricos nos quadros e tornou-se conhecido como o "fantasma de Fine Hall" (o edifício do departamento de Matemática). 
A partir de finais dos anos 1980, depois de 30 anos mergulhado nos delírios da esquizofrenia, começou a melhorar e em 1994 recebeu o Prémio Nobel da Economia. 

Revê-se na personagem interpretada por Russell Crowe no filme Uma Mente Brilhante, de Ron Howard? A história do filme é próxima da verdade ou muito afastada dela?
O filme é uma ficção selectiva, mas não está completamente afastada da realidade. Alicia e eu fomos consultados - isso fazia, aliás, parte do contrato do filme. Portanto, eles tinham licença artística, mas isso não tornou a história completamente fictícia. Não diria que me revejo nele. O filme não diz absolutamente nada sobre os meus anos de formação, antes da minha chegada à Universidade de Princeton.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Fix You - Consertar você

Quando você tenta o seu melhor, mas não tem sucesso.
Quando você consegue o que quer, mas não o que precisa.
Quando você se sente cansado, mas não consegue dormir.
Preso em marcha ré.

Quando as lágrimas começam a rolar pelo seu rosto.
Quando você perde algo que não pode substituir.
Quando você ama alguém, mas é desperdiçado.
Pode ser pior?

Luzes vão te guiar até em casa
E aquecer teus ossos
E eu tentarei, consertar você

Bem no alto ou bem lá embaixo.
Quando você está muito apaixonado para esquecer.
Mas se você nunca tentar, nunca vai saber.
O quanto você vale.

Luzes vão te guiar até em casa
E aquecer teus ossos
E eu tentarei, consertar você