sábado, 26 de março de 2011

Flor do deserto - Filme

Waris Dirie nasceu em 1965 e como outras milhares de mulheres da Somália, com três anos de idade foi submetida à mutilação genital femininao que eu descrevo como uma barbárie, mas que muitos intelectuais descrevem como rito cultural. Ela fugiu da aldeia em que morava com a família aos 12 anos, fato que se deu por ter sido vendida ou dada como esposa (o que não deixa de ser cruel) a um homem de 60 anos, do qual seria sua quarta esposa. Ela atravessou o deserto da Somália sozinha, enfrentando a fome e a sede, dormindo ao relento e com vários ferimentos nos pés, dos quais hoje ainda tem cicatrizes. Ao chegar a capital do seu país, encontra a vó, que muito sabiamente (sabendo da ameça de guerra no país) a manda para a Embaixada da Somália em Londres, onde Waris viria a passar seis anos trabalhando como faxineira. Após o término da Guerra na Somália todos da Embaixada foram convocados a retornar ao país e Waris, temendo a volta, foge pelas ruas de Londres e com ajuda de uma mulher, que tornou-se sua amiga, conseguiu emprego como faxineira em uma lanchonete. Enquanto trabalhava foi observada por um grande fotógrafo que a lançou no mundo como modelo. Depois disso ela converteu-se numa defensora da luta pela erradicação da prática da Mutilação Genital Feminina e atualmente é embaixadora da ONU. Escreveu vários livros, sendo um deles, Flor do Deserto, adaptado para o cinema.

A MGF (mutilação genital feminina) é uma prática da cultura da Somália, e de outros países, que consiste em arrancar o clitóris junto com os grandes e pequenos lábios, sendo a genitália depois costurada, restando apenas uma grande cicatriz e um pequeníssimo orifício. O procedimento é realizado de forma precária e sem condições ideais de higiene e assim, muitas meninas morrem de hemorragia ou infecção. A justificativa para este ato brutal é que isso torna a mulher pura para o casamento e preserva a virgindade e sem isso, ela não poderia se casar. Quando do casamento, o marido reabre a genitália com uma faca para poder penetrá-la.

P.S: Flor do Deserto não é uma história de conto de fadas. É a história de uma mulher que poderia não ter sido, mas, que de um jeito milagroso, foi. Mostrando ao longo da sua jornada, que o significado de ser mulher pode ser doloroso demais, cruel demais, bárbaro demais. E que não precisa ser assim.

Um comentário:

B. disse...

História linda viu!