domingo, 22 de agosto de 2010

Máscaras

Por mais que as letras saiam, o vento bate e rebate o que eu quero escrever. O dia começou como todo dia de domingo começa, no meu caso, todos os dias: "com preguiça". Levantei, esfreguei o rosto com o lençol, me rebati pela cama, até que tive coragem de REALMENTE levantar. Escovei os dentes, tomei banho, vesti meu pretinho básico como blusa, coloquei uma calça que qualquer dia desses sai de casa sem mim e calcei minha costumeira havaiana rosa. Por fim, olhei no espelho e não encontrei meu verdadeiro rosto. Talvez sejam as máscaras que encubram nossas vidas e ânimos. Talvez sejam elas que camuflem nossa dor e escondam o que realmente sentimos dentro de nós mesmos. Talvez sejam elas que criem tantas expectativas e sonhos, que nos levem à loucura. Vivemos em busca de tantas provas e certezas, vivemos à procura do outro pedaço do nosso alguém. Porém, o vento continua batendo e rebatendo o que eu acredito, o que sinto, o que vivo, o que eu sou. E a máscara, agora, começa a pesar e a cair e a levar a outra metade construída do nós. Até que ela sugue tudo o que poderia ser reconstruído novamente.

Um comentário:

João Videira Santos disse...

...antes a máscara fantasiando do que as palavras mascaradas.

(Oi!, desde a outra margem do Atlântico,concretamente, desde Lisboa.)