terça-feira, 3 de agosto de 2010

Ação e reação

Olhei de lado e vi o sorriso de Kate meio murcho e triste. Por um breve momento cheguei a pensar que tudo aquilo era por causa da minha presença, mas, logo percebi que algo grave estava acontecendo. As pessoas giravam em um compasso irregular, notei também que o garçom que servia minha mãe estava com as mãos tremendo. Sei que parece loucura ou até mesmo coisas que a minha mente brinca ao viver as verdades do mundo. Mas, nessa noite havia um algo mais no ar, uma tensão, uma barreira que isolava os convidados dos anfitriões da festa. Ao notar essa movimentação suspeita, começou a passar aquela música “eu não sei parar de te olhar, eu não sei parar de te olhar...” e vi que algumas pessoas choravam. A noite foi passando e se estendendo e se eternizando. É incrível como pequenos minutos, tornam-se horas quando se quer muito uma determinada coisa. O tempo continuou passando e os nervos dos convidados foram de moldando de acordo com o clima da festa. Enquanto uns riam, brincavam e cantavam, outros se agonizavam parados e pensativos. Ao termino da festa, procurei Kate para agradecê-la o convite feito, mas, ao invés de encontrar aquela garota rude e desinibida, encontrei uma menina frágil, que chorava aos prantos à morte de sua mãe. Sei que parece bobo ou até mesmo egoísta, mas, há tempos que eu não via Kate chorar assim, quer dizer, desde que ela acabou totalmente com a minha vida. Sei que continuo sendo egoísta ou até mesmo fria, mas, as pessoas tem aquilo que merecem. Sei também, que aonde quer que a mãe dela tenha ido, lá é um lugar muito melhor do que aqui. Por mais que eu tivesse minhas diferenças e revoltas, nesse momento, olhei para ela e me coloquei no seu lugar. E só assim, tenho que admitir, percebi e quero continuar percebendo que devemos fazer pelos outros, muito mais do que fazemos por nós mesmo. É a lei da ação e reação, é a lei da gravidade. É a lei do amor. É a lei do perdão.

Nenhum comentário: