sábado, 20 de novembro de 2010

Homens e eu.

Mal tinha chegado o inverno e eu já sentia todo o meu corpo congelado, pregado no chão desse quarto que agora me cerca. A cama tá desfeita, a janela aberta e as minhas roupas voam. Eu não faço nada. Sinto meu corpo doer, os ossos cortam minha pele. A fratura é interna, mas o que está exposto é o meu coração. Vazio, um grande vazio se apossa de mim. Estou só, de novo novamente. Tento me levantar aos poucos sem deixar a cabeça cair. Mexo os dedos. Não os sinto mexendo. Mexo a cabeça, mas tudo o que consigo é arrancar um grito involuntário de dor da minha garganta. Será que fiquei paraplégica? Paraplégica de desilusão? Talvez sim. Tento mais uma vez me mexer, só que dessa vez pego o telefone e te ligo. Três dias. Três dias te liguei e três dias fiquei sem resposta. Não como. Não vivo. Mas também não morro. Os minutos viraram horas e tudo o que  mais penso é em te deixar. Mas toda vez que imagino teus lábios na minha boca e tuas mãos no meu corpo, perco os sentidos dos sentimentos. Perco a razão. E de novo fico só. Decido tomar banho. Quero tirar de mim todos os teus vestígios. Quero arrancar do meu corpo o teu cheiro. Quero te afogar na água dos meus pensamentos e por fim, apertar a descarga. A água aos poucos vai limpando o meu corpo. Solto o cabelo. Tudo vai sendo levado embora. Os pensamentos, as lembranças, as mágoas e o amor. Mas a saudade, ela tá impregnada dentro de mim. A água não a leva embora, eu morro de desgosto por isso. Me enxugo e procuro uma roupa. Pego o meu melhor salto e coloco o meu melhor batom. Saio na noitada, não conheço ninguém, só vejo você. Você e eu aqui, num plano invisível de infelicidade. Então, aí vai a dica: "Procura-se um HOMEM de verdade."

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