quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

En-clausura-da.

Há cinco dias que eu me encontrava presa naquele quarto. Quer dizer, cinco ou quase isso, não sei. Mas me lembro de pensar no quão bom seria sentir a água escorrendo por minha garganta e matando todas as minhas sedes, uma por uma. O lugar onde me achava deve ter tido belas paredes brancas, no passado, pois hoje jazem consumidas pelo morfo. Ali, naquele reino de esquecimento, eu passava o dia tentando distinguir os passos, os sons e as cores que ocasionalmente entravam pelas brechas da porta. Porém, me traí tantas vezes com os meus próprios gritos, que duvido muito que tenha aprendido a distinguir qualquer coisa além da minha dor. Uma dor sufocante que atacava o meu bem mais precioso: minha liberdade. Liberdade esta que passei uma vida inteira construindo. Liberdade esta que desafiou uma multidão de incrédulos que não conheciam nada além da sua própria vaidade. No entanto, de uma coisa eu sei bem, não importa o dia, o lugar ou a hora, mas um dia, noutro tempo, talvez até mesmo com outras pessoas, desfrutaremos de uma liberdade na qual não precisará ser construída, ela será entregue a cada um no dia do seu nascimento (de bandeja). Pena que nesse tempo as pessoas não saberão o preço pago por essa regalia - temo que talvez já estejamos vivenciando esses fatos. Tudo o que se fez um dia será desfeito. O que nasce morre. O que cresce envelhece. A verdade, para você, pode até mudar, mas o vazio dentro do homem sempre vai estar ali... lembrando o quão miserável é a sua existência, egoísta e solitária. O homem é um ser social, mas por que o capitalismo teima tanto em pregar a desigualdade de almas? E quando eu falo isso, creio que uma dúzia de pessoas entendem o que eu quero dizer. Pensando bem, meu tempo de reclusão é bem maior do que eu pensava.

Um comentário:

B. disse...

Sem palavras para esse texto, muito foda, Luaz!