Certa ideia surgiu na minha mente. Quer dizer, um fato que sempre acompanhou meus textos: sempre começo a escrever repentinamente do nada. Já me perguntaram de onde tiro inspiração para escrever, disse que escrever é questão de sentir. Mas escrever é questão sua, de você. Assim como as minhas inspirações repentinas, também começo a escrever coisas que não deveriam, sigo a sequência errada do texto, das ideias... Pulo palavras, sentimentos, esqueço pontos importantes e me concentro em outros totalmente atípicos. Enfim, não é do meu interesse falar dos meus textos. Quero falar do texto dos outros. E não apenas dos textos, mas das fotos, quadros e esculturas também. Estava aqui do nada, em uma noite de sexta, bebendo coca-cola em uma tarça de pés longos (se é que chamam assim) – ultimamente desenvolvi essa estranha necessidade de beber coca com gelo e limão – enfim, quando dava a última golada, percebi que a forma como os gelos se colocavam no final do copo e a forma que o limão estava estacionado no meio deles, lembravam-me e muito, um quadro famoso. Agora me pergunto: qual quadro? Nenhum. Só achei aquela cena inebriante. E é isso o que os artistas fazem, mastigam a realidade e transformam as coisas nunca antes observadas por nós... Dando-nos a impressão que aquilo é inovador, sem de fato o ser. O óbvio precisa ser dito ou mostrado, sempre.
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Superação.
Eu fico a imaginar aqueles dias, momentos insanos de um descontentamento constante, onde a saudade era a única palavra do dicionário, qualquer tempo nunca era o suficiente para ouvir a tua voz. Ainda lembro. Lembro sim! Não tem como apagar da memória as vezes em que o coração falou mais alto, em que as inaptidões da junventude me levaram cedo demais a desabrochar o coração. Mas determinadas coisas são importantes demais para se deixar para a próxima oportunidade. Um coração quebrado ensina para a vida, você sente nos pés a inquietude da solidão. É chegado o momento de finalmente se reencontrar, conhecer os seus reais anseios, os segredos por trás das insatisfações, compreender a direção dos pensamentos, as possibilidades do desejo. É o momento de se reinventar, criar o seu próprio caminho, enxergar as suas limitações, vencer os medos.
Dois amores. Um coração.
Eu observo o tempo passar, como um produto da própria inércia que se instalou entre nós. Eu virei uma paisagem, presa no último olhar que você me lançou. Você me envolveu no calor dos seus braços e foi embora. Como superar a tua ausência? Mesmo que tudo isso tenha sido ideia minha? Às vezes temos que fazer escolhas difíceis para viver o que é certo. Me pego te observando à distância, desejando que você olhe em minha direção, que teu olhar me arrebate do chão e tire o meu ar. Sinto tua falta! Mas eu não acho que você sinta a minha. Te pedi tempo, mas você nunca me deixou escolha, tudo foi rápido demais. Uma última promessa, reduzida à cinzas. Um último abraço, resumido em lembranças. Tentei uma última vez dizer adeus. Deixar ir, levar os momentos pelo ralo das memórias. Tentei te dizer com todas as letras que eu não queria isso, mas a veracidade das intenções não alcançou meu coração. Por que tudo tem que ser tão difícil? Tudo o que meu peito grita agora é paz. Estou dizend...

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