domingo, 11 de agosto de 2013

Pai

O dia já está quase terminando, o sol já se pôs e logo logo a lua fará sua saída teatral. Os segundos, minutos e horas não passaram de meros coadjuvantes nesse dia apertado de emoções. O coração pulsa, mas de certa forma sem batimentos, pois todos chegaram extintos na garganta. O ar foi congelado e imprensado nos pulmões, o olhar esquecido e o pensamento vidrado em "lembranças" do passado. Sentimento estranho esse, do qual não tenho palavras para discorrer, muito menos lágrimas para derramar. No entanto, vez ou outra me pego com os olhos cheios de algo, algo que não poderiam ser lágrimas, pois nunca deixam meus olhos nem meu coração. E é uma dor alucinante essa, que não há anestesia que cure, nem risada que repare. O tempo passa, vira anos, décadas, mas ainda assim esse "passageiro obscuro" permanece bem escondidinho dentro do peito, num cantinho escuro e deserto, esperando o momento certo para agir. Não é fácil colocar num pedaço de papel tudo o que penso em te dizer, porém essa é mais uma tentativa de superação, ou de esquecimento, uma forma frustrada de tentar prosseguir sem pensar em como teria sido diferente se você não tivesse partido. E por mais que a dor inunda os meus pensamentos e o meu ser, quero dizer que fostes para mim como um raio de sol, que iluminou os meus dias com os teus pedidos, carinhos e palavras, ensinou-me coisas que o meu "eu" não consegue lembrar, mas que o meu "tu" insiste em viver. É complicado falar de um alguém que não conheci, pelo menos por uns bons 17 anos; complicado falar de um alguém que partiu e deixou um buraco enorme no meu coração e na minha vida; complicado falar de um alguém que deveria ter sido a pessoa mais importante do meu crescimento, mas que foi embora sem despedidas ou antecipação, apenas foi, ponto final.

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